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A pele e o vitiligo

A pele é o maior órgão do corpo humano. Apresenta diversas funções como proteção para as estruturas internas do corpo, defesa imunológica através de células imunes, regulação da temperatura corporal, sensibilidade cutânea, proteção contra os raios ultravioleta.

Divide-se em 3 camadas. A camada mais superficial é a epiderme, composta principalmente por queratinócitos e melanócitos. Os melanócitos são as células produtoras de melanina, pigmento que dá cor à pele. A camada média é a derme, onde estão localizadas as fibras colágenas e elásticas que dão sustentação à pele, além de vasos sanguíneos e nervos. A camada mais profunda é a hipoderme, composta por adipócitos que são as células de gordura.

Vitiligo é uma doença muito comum, acometendo aproximadamente 1% da população mundial, ou seja, uma em cada cem pessoas tem vitiligo. Acomete homens e mulheres de todas as raças.

Aproximadamente 25% dos pacientes têm até 10 anos no início da doença. Outros 25% têm idade entre 10 e 20 anos e 95% dos pacientes apresentam vitiligo até os 40 anos.

Vitiligo decorre da destruição dos melanócitos. Com a morte dos melanócitos não há mais produção de melanina e a pele perde sua cor, tornando-se branca.

Há diversas teorias que tentam explicar este fenômeno. A mais aceita é a teoria auto-imune. Segundo essa teoria, os melanócitos são destruídos pelas células de defesa que, por algum motivo, passam a atacar e matar os melanócitos.

Outra teoria é a da autocitotoxicidade. Sua base é que a morte dos melanócitos é secundária à sua capacidade diminuída em eliminar os metabólitos tóxicos formados durante a síntese de melanina.

A última teoria importante é a neural, segundo a qual, a morte dos melanócitos seria decorrente de mediadores neuroquímicos liberados pelos nervos e que são tóxicos para os melanócitos.

Nenhuma dessas três teorias isoladamente explica o surgimento do vitiligo. Provavelmente as 3 teorias estão implicadas na doença, mas ainda há muito por ser descoberto.

O quadro clínico do vitiligo é bastante característico, com o surgimento de manchas brancas ou com tom mais claro do que a pele normal em qualquer área corporal.

Há 7 tipos de vitiligo que se dividem em 3 grupos:

  1.  Vitiligo localizado – engloba o vitiligo segmentar. Esse tipo geralmente cresce rapidamente e alcança seu tamanho final em pouco tempo. É unilateral, agressivo localmente podendo deixar pêlos brancos precocemente. Responde por aproximadamente 15% do total de pacientes.
  2.  Vitiligo generalizado – nesse grupo há 4 tipos: vulgar, misto, universal e acrofacial. As manchas tendem a ser simétricas, acometendo os mesmos locais de ambos os lados do corpo. Podem evoluir rápida ou lentamente ou estabilizar.
    • Vitiligo vulgar tem esse nome por ser o mais frequente de todos os tipos e sozinho responde por 75% do total de pacientes. Sua característica principal é a simetria.
    • Vitiligo misto manifesta-se com 2 tipos de vitiligo, geralmente vulgar e segmentar.
    • Vitiligo universal acomete mais de 70% do corpo e no adulto o tratamento pode ser despigmentação para a cor ficar uniforme. Crianças com vitiligo universal apresentam grande capacidade de pigmentaçnao, sendo que nesses casos, a despigmentação não é indicada.
    • Vitiligo acrofacial é o vitiligo que se restringe a face, e/ou mãos, e /ou pés
  3.  Vitiligo indeterminado – focal e mucosa são os tipos que formam esse grupo. São chamados indeterminados, pois não se sabe se a evolução será local ou em várias áreas do corpo.
    • Vitiligo Focal é caracterizado por mancha única hipocrômica, arredondada e de duração mínima de 2 anos sem progressão.
    • Vitiligo de Mucosa é quando acomete somente mucosa oral ou genital.

A partir da definição do tipo de vitiligo fica mais fácil determinar a possível evolução do paciente e também os tratamentos com maior chance de sucesso.

No vitiligo pode ocorrer o que chamamos fenômeno de Koebner ou isomorfismo, que é o surgimento de novas manchas após um trauma físico como corte, arranhão, queimadura, pancada, etc.